domingo, 28 de agosto de 2016

Decidi criar um blog...sim, um blog e logo eu! Mamy de primeira viagem (aos 32), profissional liberal e casada!Quantas muitas não estarão na mesma situação do que eu?

Pois bem, é tudo uma grande novidade com a chegada de um bebé, sabendo que todas nós temos sempre inúmeras situações e dúvidas nas nossas cabeças.

O meu menino, o JF, nasceu a 29 de Dezembro de 2015, às 18h05, de parto induzido com ventosa!

Não fiz qualquer preparação para o parto e pouco ou nada li sobre o assunto....super tranquila e só queria tê-lo cá fora.

Tinha uma grande barriga nos meus míseros 1,53 cm!Parecia tanto com um perú em vésperas de Natal!

Passaram as 40 semanas e nada, daí ter sido parto induzido....às 10h00 lá estava eu no Hospital e confesso, um pouco ansiosa pois tinha chegado a tão famosa hora! Finalmente a minha vida iria mudar e lá sabia eu se estaria ou não preparada para o que aí viria....

Como referi acima, sou profissional liberal e uma das coisas que mais me assustava era não conseguir trabalhar com um bebe em casa...confesso....Afinal, não trabalhando não poderia ter rendimentos ao fim do mês para pagar o rol de despesas que tenho por minha conta (casa, escritório, funcionária, etc).

Entrei tranquila e lá me deram um comprimido...fui para a salinha com aquela bata branca e lá esperei com o meu marido que esteve sempre ao meu lado.

Aproveitei para trabalhar,  enquanto não se passava nada.

Lá estava eu a mandar e-mails quando comecei a sentir uma remoinha....já começava a sentir os primeiros sintomas e fome, muita fome!Eu que gosto tanto de comer e nessa altura mal sabia que não podia comer mais nada!
Foi a Senhora da bata branca que me negou umas bolachinhas...que tristeza....

Eram 14h30, e  já depois de diversas vezes ter passado o meu médico e as enfermeiras para por os seus deditos....rebentaram as águas...mas que águas!! Nunca pensei que o nome fosse tão fidedigno...senti o barulho de um balão a rebentar e rápido comecei a verter imensa água....bom sinal disseram as enfermeiras (dispensaram o segundo comprimido).

E ali fiquei eu na cama a trabalhar e por vezes levanta-me para ir à janela (chovia torrencialmente...Açores what else!). Comecei a sentir as primeiras contracções e fui deixando que o tempo se encarregasse do resto....

Mais contracções e eu pensava que quanto mais tarde levasse a epidural melhor seria!
Tinha ouvido dizer que se levasse muitas vezes chegava a uma altura em que não me poderiam dar mais e não queria correr esse risco...afinal, quem não ouviu falar das dores do parto?

Aos seis dedos, ainda sem epidural, e depois de mais parecer uma vaquita a quem tocam, tive que ser oxigenada...afinal, parecia que o meu bebe não estava tão bem assim e precisava de uma ajudinha...aquele monitor com as pulsações passou a ser a minha prioridade....só queria que ele estivesse bem.
Pedi a epidural e quando me vieram dar já tinha oito dedos de dilatação....imaginem como não sentia as contracções!

A epidural foi um filme. Como não nos podemos mexer, só à terceira é que conseguiram.. Nas outras duas, já com a agulha enfiada, vinha uma contracção e lá tinham que parar para não correr nenhum risco.

Que bendita epidural! é um milagre!As dores rapidamente desaparecem.

Chegada as 17h30, encaminharam-me para o bloco...e aí sim, já nervosa e sem força...sinto o bebe a encaixar e não o consegui puxar para fora...médico queria mais epidural mas anestesista não deixou e disse que era uma "mariquinhas" (deve ter falta de qualquer coisa a mulher).

Colocaram a ventosa e o bebé saiu (parecia um vitelinho todo desengonçado).

Depois, já com o JF em cima de mim enquanto coziam (não vou entrar nesse pormenor porque sem dúvida foi o que mais me custou) , ele não chorava...o meu marido em pânico e eu ainda sem estar recomposta dos meus berros anteriores em que dizia "Não consigo, eu não consigo" já só gritava " não chora, ele não chora".

O médico apenas disse-me para ter calma...e aquele minuto em que lhe levaram para a salinha ao lado  pareceu uma eternidade até que o ouvimos chorar e eu também já só chorava, por toda aquela emoção e sem forças....

É estranho o primeiro contacto com o nosso bebe!Alguém que não conhecemos e que é tão parte de nós! Olhei para ele e só dizia que era lindo!O meu marido estava deliciado.....

Quando me põem na maca para ir para o quarto, colocaram o bebe no meu peito (já vestidinho com a sua primeira roupinha) e ali comecei eu a dar de mamar, ou, pelo menos, a tentar!

A maminha...essa sim era a minha grande preocupação. Não porque não podia ter leite (há inúmeras soluções), mas as dores que me iam causar! Vivi de perto a gravidez de uma amiga que teve imensas dores e fez uma mastite.

Chegada ao quarto,  quando me perguntam o que quero disse  "Eu preciso tanto mas tanto de comer...."

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